O título Noite de Reis refere-se à celebração da Epifania, marcada pela festa popular e pela inversão de papéis sociais.
Nesta montagem do Cena IV – Shakespeare Cia, Shakespeare encontra a nossa cultura, com figurinos coloridos inspirados na Folia de Reis e trilha sonora que dialoga com nosso universo e com o brega brasileiro.
No original, o título Twelfth Night, or What You Will (literalmente “Décima Segunda Noite” – em português Noite de Reis – “ou o que quiserem”) alude à festa da Epifania (6 de janeiro), marco do fim das celebrações natalinas.
Ele representa uma convergência única de marcação temporal, tradição litúrgica e ocasião teatral dentro do cânone dramático da Idade Moderna.
Diferente da maioria das comédias de Shakespeare, que geralmente derivam seus títulos de personagens centrais, cenários geográficos ou dispositivos de enredo primários, Noite de Reis é a única peça no First Folio a ser explicitamente nomeada liberdade e jogo (“faça o que quiser”), refletindo o clima de exceção do feriado.
A natureza dual do título — combinando a data litúrgica fixa da “Noite de Reis” com o “O Que Quiserem”, semanticamente aberto — cria uma dialética entre o tempo estruturado do feriado e os impulsos caóticos do desejo humano.
A Folger Shakespeare Library resume bem: “Twelfth Night, marca o limite entre a temporada festiva e o retorno à rotina. A segunda parte do título ‘What You Will’ deixa claro o reinado da vontade e do prazer na ação. Há desordem, banquetes, jogos de papéis e muita confusão”.
Em suma, a maioria dos críticos concorda que Shakespeare escolheu esse título para situar o público num ambiente de festa e subversão de normas – tema central da comédia – ainda que o “What You Will” possa ter sido um acréscimo ambíguo, convidando à interpretação pessoal.
Na montagem do Cena IV – Shakespeare Cia (São João da Boa Vista), inicialmente produzida em 2022 e remontada em 2026, com direção de Ronaldo Marin e Zeza Freitas, e assistência e produção dos irmãos Gabriel Marin e Marcella Marín, esses elementos são transportados para o atual e para o cenário brasileiro, se materializando no plano visual.
O cenário, de estética clássica e predominantemente branco, remete ao ambiente formal e nobre, como de um palácio; contudo, como propõe o espírito da festa, sendo facilmente moldável pelos jogos de luz.
Os figurinos, por sua vez, mergulham em cores, estampas, brilhos e detalhes exuberantes que evocam o princípio do “faça o que quiser”. As cores vermelho, amarelo e verde dialogam ainda com as tonalidades e simbologias presentes na Folia de Reis brasileira.
A trilha sonora incorpora músicas de conhecimento popular e ritmos associados ao brega brasileiro, intensificando a ambientação brasileira e festiva além da sensação de liberdade sugerida desde o título original da obra.
Toda essa mescla reforça características presentes na obra desde o título, transformando o palco em uma verdadeira folia contemporânea, que bebe de diferentes fontes: do original shakespeariano, da cultura brasileira e da inventividade criativa da companhia. Assim, a encenação transforma os personagens em celebrantes e afirma, em cena, o princípio do “faça o que quiser”, presente no subtítulo.
A história acompanha Viola, uma jovem que, após sobreviver a um naufrágio, acredita ter perdido o irmão Sebastian e decide se disfarçar de homem para sobreviver em uma terra desconhecida, desencadeando uma série de encontros, desencontros, paixões e equívocos quando o irmão reaparece, as semelhanças entre os dois confundem todos à sua volta. Inspirada no espírito festivo da Epifania — a tradicional “Noite de Reis”, marco do fim das celebrações natalinas — a peça de William Shakespeare incorpora elementos típicos do universo carnavalesco, como inversões de papéis, disfarces, excessos e jogos de identidade, princípios que também se refletem no subtítulo “What You Will” (“ou o que quiserem”). Na montagem do Cena IV, esses elementos ganham uma releitura brasileira: o cenário de estética clássica, enquanto os figurinos dialogam com a tradição da Folia de Reis e com a estética brega-pop brasileira. A trilha sonora, composta por músicas do universo brega e ritmos marcantes do imaginário nacional, reforça o clima festivo e irreverente da encenação, transformando o palco em uma verdadeira celebração contemporânea onde Shakespeare encontra a cultura brasileira. Seguindo a tradição de montagens da companhia que já reinventaram clássicos como “A Megera Domada” no universo sertanejo e Romeu e Julieta nas ruas de uma grande cidade moderna, esta versão de Noite de Reis
Produção: Cena IV – Shakespeare Cia e Instituto Shakespeare Brasil
Projeto: Um Olhar Brasileiro para Shakespeare
Direção: Ronaldo Marin e Zeza Freitas
Ass. De Direção: Gabriel e Marcella Marin
Produção: Gabriel Marin e Zeza Freitas
Ensaistas: Vinicius Monteiro e Mariana Theodoro
Cenário: Gabriel Marin
Figurino: Marcella Marín
Confecção: Zilda Matielo e equipe
Criação de arte: Gabriel Marin e Rodrigo Teixeira
Sonoplastia e Iluminação: Companhia
Viola: Marcella Marín
Sebastian: Gabriel Marin
Feste: Débora Bovetto (Mateus Gutierres)
Olívia: Gabriella Garzo
Orsino: Luan Batista
Malvolio: Hideo Kushiyama
Maria: Mariana Theodoro
Andrew: Vinícius Monteiro
Toby: Gabriel Marin
Antônio: Marcelo Fiorini
Fabian: Arthur Mega
Capitão: Rodrigo Teixeira
Criados: Mateus Fiorini, Igor Teixeira, Rodrigo Teixeira
Dançarinos: Lyrian Gomez, Roberta Voltarelli, Edu Cereja
Músicos: Carlos Henrique Toni e Victor Wanschel
No original, o título Twelfth Night, or What You Will (literalmente “Décima Segunda Noite” – em português Noite de Reis – “ou o que quiserem”) alude à festa da Epifania (6 de janeiro), marco do fim das celebrações natalinas.
Ele representa uma convergência única de marcação temporal, tradição litúrgica e ocasião teatral dentro do cânone dramático da Idade Moderna.
Diferente da maioria das comédias de Shakespeare, que geralmente derivam seus títulos de personagens centrais, cenários geográficos ou dispositivos de enredo primários, Noite de Reis é a única peça no First Folio a ser explicitamente nomeada liberdade e jogo (“faça o que quiser”), refletindo o clima de exceção do feriado.
A natureza dual do título — combinando a data litúrgica fixa da “Noite de Reis” com o “O Que Quiserem”, semanticamente aberto — cria uma dialética entre o tempo estruturado do feriado e os impulsos caóticos do desejo humano.
A Folger Shakespeare Library resume bem: “Twelfth Night, marca o limite entre a temporada festiva e o retorno à rotina. A segunda parte do título ‘What You Will’ deixa claro o reinado da vontade e do prazer na ação. Há desordem, banquetes, jogos de papéis e muita confusão”.
Em suma, a maioria dos críticos concorda que Shakespeare escolheu esse título para situar o público num ambiente de festa e subversão de normas – tema central da comédia – ainda que o “What You Will” possa ter sido um acréscimo ambíguo, convidando à interpretação pessoal.
Na montagem do Cena IV – Shakespeare Cia (São João da Boa Vista), inicialmente produzida em 2022 e remontada em 2026, com direção de Ronaldo Marin e Zeza Freitas, e assistência e produção dos irmãos Gabriel Marin e Marcella Marín, esses elementos são transportados para o atual e para o cenário brasileiro, se materializando no plano visual.
O cenário, de estética clássica e predominantemente branco, remete ao ambiente formal e nobre, como de um palácio; contudo, como propõe o espírito da festa, sendo facilmente moldável pelos jogos de luz.
Os figurinos, por sua vez, mergulham em cores, estampas, brilhos e detalhes exuberantes que evocam o princípio do “faça o que quiser”. As cores vermelho, amarelo e verde dialogam ainda com as tonalidades e simbologias presentes na Folia de Reis brasileira.
A trilha sonora incorpora músicas de conhecimento popular e ritmos associados ao brega brasileiro, intensificando a ambientação brasileira e festiva além da sensação de liberdade sugerida desde o título original da obra.
Toda essa mescla reforça características presentes na obra desde o título, transformando o palco em uma verdadeira folia contemporânea, que bebe de diferentes fontes: do original shakespeariano, da cultura brasileira e da inventividade criativa da companhia. Assim, a encenação transforma os personagens em celebrantes e afirma, em cena, o princípio do “faça o que quiser”, presente no subtítulo.
A história acompanha Viola, uma jovem que, após sobreviver a um naufrágio, acredita ter perdido o irmão Sebastian e decide se disfarçar de homem para sobreviver em uma terra desconhecida, desencadeando uma série de encontros, desencontros, paixões e equívocos quando o irmão reaparece, as semelhanças entre os dois confundem todos à sua volta. Inspirada no espírito festivo da Epifania — a tradicional “Noite de Reis”, marco do fim das celebrações natalinas — a peça de William Shakespeare incorpora elementos típicos do universo carnavalesco, como inversões de papéis, disfarces, excessos e jogos de identidade, princípios que também se refletem no subtítulo “What You Will” (“ou o que quiserem”). Na montagem do Cena IV, esses elementos ganham uma releitura brasileira: o cenário de estética clássica, enquanto os figurinos dialogam com a tradição da Folia de Reis e com a estética brega-pop brasileira. A trilha sonora, composta por músicas do universo brega e ritmos marcantes do imaginário nacional, reforça o clima festivo e irreverente da encenação, transformando o palco em uma verdadeira celebração contemporânea onde Shakespeare encontra a cultura brasileira. Seguindo a tradição de montagens da companhia que já reinventaram clássicos como “A Megera Domada” no universo sertanejo e Romeu e Julieta nas ruas de uma grande cidade moderna, esta versão de Noite de Reis
Produção: Cena IV – Shakespeare Cia e Instituto Shakespeare Brasil
Projeto: Um Olhar Brasileiro para Shakespeare
Direção: Ronaldo Marin e Zeza Freitas
Ass. De Direção: Gabriel e Marcella Marin
Produção: Gabriel Marin e Zeza Freitas
Ensaistas: Vinicius Monteiro e Mariana Theodoro
Cenário: Gabriel Marin
Figurino: Marcella Marín
Confecção: Zilda Matielo e equipe
Criação de arte: Gabriel Marin e Rodrigo Teixeira
Sonoplastia e Iluminação: Companhia
Viola: Marcella Marín
Sebastian: Gabriel Marin
Feste: Débora Bovetto (Mateus Gutierres)
Olivia: Gabriella Garzo
Orsino: Luan Batista
Malvolio: Hideo Kushiyama
Maria: Mariana Theodoro
Andrew: Vinícius Monteiro
Toby: Gabriel Marin
Antônio: Marcelo Fiorini
Fabian: Arthur Mega
Capitão: Rodrigo Teixeira
Criados e Dançarinos: Edu Cereja, Lyrian Gomes, Roberta Voltarelli e Rodrigo Teixeira
Músicos: Carlos Henrique Toni e Victor Wanschel
| Cena IV Shakespeare Cia | Nova produção 2026 | Montagem original 2022 |
Irmãos gêmeos – ou muito parecidos – separados por um naufrágio, isso já dá uma boa pista de que vem confusão. Viola se disfarça de homem, assumindo o nome de Cesário, e acaba trabalhando para o Duque Orsino. Quando Sebastian aparece, as identidades se embaralham de vez.
Governante da ilha e representante absoluto do drama romântico. Vive suspirando por Olívia, embalado por músicas apaixonadas e declarações exageradas. Ama tanto o amor – e a ele mesmo – que às vezes parece mais apaixonado pela ideia de sofrer do que pela própria pessoa.
Condessa elegante que, desde a morte do irmão, jurou viver em luto e não se apaixonar por ninguém. Claro que esse plano dura pouco quando ela conhece um misterioso mensageiro. Determinada e intensa, mergulha sem medo nesta busca amorosa – e confusa.
O bobo – ou a boba – da casa de Olívia, cantor, filósofo e especialista em dizer verdades disfarçadas de piada. Circula entre todos os personagens observando suas loucuras e falhas. Com suas ironias, parece sempre entender mais da vida do que todo mundo.
Mordomo de Olivia, rígido e absolutamente convencido de sua própria importância – o que falta é deixar isso claro para sua senhora. Detesta as festas, a música ou qualquer sinal que altere a organização da casa. Justamente por isso, o leva para ser o alvo perfeito para uma armadilha cômica.
Cavaleiro rico, desajeitado e facilmente influenciável. Acredita que é um grande conquistador e que tem boas chances com Olivia — mesmo quando tudo indica o contrário. Sua ingenuidade garante algumas das situações absurdas.
Tio de Olívia e grande defensor da diversão sem limites. Vive bebendo, festejando e transformando a casa da sobrinha em um verdadeiro carnaval. É também um dos principais responsáveis pelas confusões que movimentam a história.
Criada de Olívia e uma das mentes mais afiadas da casa – gigante em inteligência e malícia. É ela quem cria o plano da carta falsa que leva Malvólio a se comportar de forma patética.
Criado da casa de Olivia e cúmplice das travessuras de Sir Toby e Maria. Participa com entusiasmo da grande armação contra Malvólio. Está sempre ali para ajudar quando a situação pede um pouco de confusão.
Capitão do mar que salva Sebastian após o naufrágio. Corajoso e profundamente leal, acompanha o jovem mesmo correndo riscos. Sua amizade -??- sincera adiciona emoção em meio às confusões da comédia.
É o marinheiro que ajuda Viola logo após o naufrágio. É ele quem a auxilia a iniciar sua nova identidade. Sem imaginar, acaba dando início a toda a cadeia de confusões da história.
Com lealdade e discrição – menos os dançarinos – são personagens que aparecem nos momentos decisivos da história. Eles orientam as localizações, arrumam tudo, ajudam a resolver as confusões, prender quem precisa ser preso, estão presentes nos momentos de suspiros de amor, também estão lá para confirmar os casamentos inesperados -?? – e claro, dançam e dão ritmo a nossa história.
A dupla que transforma a trilha da peça em um verdadeiro show romântico brega. Com canções exageradas e -claro – cheias de emoção, comentam a história com música. Como bons cronistas, ajudam a guiar o público pelo caos amoroso da história.